Resenhas

07/02/2011

O eloquente 'Discurso do Rei'

"O Discruso do Rei" é um filme que não decepciona e prende a atenção do começo ao fim pelo alta carga de dramaticidade, balanceada por diálogos rápidos, inteligentes e bem humorados, entre os personagens principais. É um convite aos olhos e ouvidos, pois tem uma bela fotografia e trilha sonora, além da arte na construção de época que valeram indicaçõs ao Oscar.

Baseado na história verídica do Rei George VI, a película dirigida por Tom Hooper, indicado ao Oscar pela direção, mostra a luta corajosa do então Duque de York, o princípe Bertie (Collin Firth), para dominar a habilidade de falar em público, ante à gagueira adquirida na infância.  Com o apoio da esposa, Elizabeth (Helena Carter,  indicada como atriz coadjuvante ), Bertie submete-se ao tratamento inusitado do excêntrico especialista Lionel Logue (Geoffrey Rush, indicado ao Oscar como ator coadjuvante).  

A aparente falta de progresso no tratamento, a iminência de uma guerra, a morte do pai, George V, e a abdicação do Rei Eduardo VIII, aumentam o sofirmento emocional de Bertie, o que é brilhantemente demonstrado por Firth, cujo reconhecimento é uma sábia indicação ao Oscar de melhor ator.

O tratamento se segue durante a sequencia, norteada por um roteiro exato e corente (também indicado ao Oscar), para a coroação de Bertie. As dificuldades que precisam ser vencidas, derrubam os protocolos e tornam o Rei e o terapaeuta em gandes amigos.  E, finalmente, o 'gago' torna-se uma voz de incetivo, levando esperança durante a guerra, para o Reino Unido.

Ficha Técnica:
Título original: (The King's Speech)
Lançamento: 2010 (Inglaterra)
Direção:Tom Hooper
Elenco: Colin Firth, Helena Bonham Carter, Geoffrey Rush, Michael Gambon.
Duração: 118 min
Gênero: Drama


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Um jovem de lugar nenhum

De lugar nenhum.  Assim foi o jovem John Lennon, segundo o filme O Garoto de Liverpool (Nowhere Boy).  A obra dramática dirigida por Sam Taylor-Woode retrata os últimos e conturbados anos da adolescência de Lennon, explorando o período em que se reencontra com a mãe que o abandonou na infância, deixando-o sob os cuidados de uma severa tia.

A película cujos pontos fortes são a bela fotografia e reconstrução fiel do figurino da época, mostra o início da trajetória do músico para fundar sua primeira banda - The Rolders; o encontro e identificação com o precocemente talentoso Paul e citações inusitadas do George Harisson,  mas não é uma história sobre The Beattles e sim, um retrato dos conflitos do jovem que se tornou um dos músicos mais influentes do cenário musical dos últimos 60 anos.

Estudante de desempenho pífio, dado a aventuras urbanas como surfar em teto de ônibus, descolado com as garotas, ardiloso e irônico são os ingredientes do rapaz que reencontra a mãe aos 16 anos, cujo relacionamento, segundo o filme, tem pitadas de incesto e platonismo...  Apesar de sua ausência, a mãe tem um papel fundamental em sua vida, redesenhando seu futuro não muito promissor: apresenta-lhe ao banjo, ensinando-a tocar; à dança e ao rock in roll, levando-o a festas e a Elvis Presley, no cinema, que torna-se um ídolo na vida do garoto.

O destaque é para os episódios de conturbação e tragicidade familiar com a perda repentina da mãe, o que certamente, influencionou John nas várias composições futuras do músico que, em suas músicas, fala de perdas, sentimentos incompreendidos e de lugar nenhum...

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A Rede Social é um filmaço

Longe de ser um filme sobre nerds e para nerds, a Rede Social, dirigido por David Fincher é um drama existencial.  Veloz e verborrágico, calcado em diálogos sólidos e originais sem desperdício de palavras.  Tudo se enciaxa com exatidão, à  semelhança da linguagem aplicada à tecnologia que deu origem ao Facebook.  A história da origem do site social que reúne 500 milhões de usuários, em 207 países, confunde-se com o drama de seu autor - o brilhante, visionário e arrogante programador Mark Zuckerberg (interpretado pelo ator Jesse Eisenberg).

Sem dúvida, uma das melhores obras dos últimos tempos.  Apesar da fotografia sombria, em nada se aproxima da sisudez de um documentário, mas criativamente, ultrapassa a linearidade do tempo, entrecortando fatos passados com a cena do julgamento, em que personagens e fatos são postos sobre a mesa. Nesta hora em que se lava a roupa suja, nada de surpreendente surge e sim, a vileza humana, nossa de cada dia, na forma de inveja, ambição, traição, deslealdade, insegurança, dureza e intransigência.

No meio do embate e entre o emanranhado de sentimentos, a impressão é que só um princípio grita: "não é bom que o homem esteja só"! Companhia. Amizades. Aceitação.  Foram os objetivos originais da busca que se transoformou num empreendimento inovador e multimilionário que mudou o conceito das outrora conhecidas 'comunidades' da web e estabeleceu a mais verdadeira rede social: a de intrigas.

A Rede... é clara ao retatar a grande ironia do jovem que criou um site para conectar amigos, ficou bilionário aos 20 e poucos, mas não cultivou nenhum amigo para conectar-se – típico de um gênio incompreendido?  Talvez não, mas peculiar a um 'babaca'  nato cujos relacionamentos seguem, apenas, a visão utilitarista do outro.


Que ninguém se apresse em apostar que o filme será tão emblemático quanto Matrix e Star Wars, os quais povoaram o imaginário das respectivas gerações que os receberam.  Mas é certo que nas próximas semanas, o Facebook receberá uma enxurrada de novos membros - efeito viral do filme, claro! 


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 Um dia de mesária 
                     
Domingo, 31 de outubro de 2010 - segundo turno para eleição presidencial

07h - Chegada dos mesários na Zona eleitoral.  Sinalização e arrumação das salas; disposição das mesas e cadeiras para o cenário de votação
07h15- Distribuição do material: urna eletrônica, terminal de voto, cadernos de votação, canetas, carbono e demais papelarias.  Do lado de fora do colégio, começa a concentração de eleitores, agurdando o portão abrir para entrar e votar. 

 07h30- Instalação da urna e terminal de liberação de votos.  Fixação de fios com fita adesiva

07h50 - Tudo pronto para a votação. Falta um mesário na seção e é substituído por uma suplente

08h - Abertura do portão.  Correria dos eleitores para pegar um bom lugar na fila.
08h10 - Eleitor não tem nome econcontrado em cadernos de votação, nem a numeração de seu título é aceita pela urna, apesar do documento indicar aquela seção. Ele segue para a coordenação.
10h20 - Mulher com crianças e sacolas de supermercado chega para votar trazendo o título de eleitor do marido.  Após ter consciência do fato, admite que se enganou e pegou o documento errado. ela vota com a identidade...
11h30 - Começa o revezamento entre os quatro membros da mesa, para ir almoçar
14h00 - Termina o revezamenro para o almoço
14h20 - Acaba a água mineral destinada pelo TRE para os mesários (cada mesário só tinha direito a 3 copos de 200ml - é um dia de "seca").  Também está faltando água nos bebedouros do colégio.
16h00 - Faltam 150 eleitores votar na seção
17h00 - Portões são fechados, acaba a votação.
17h03 - Fechamento da urna. Impressão dos boletins.
Resultado: de 313 votos, Dilma teve 202 e Serra 69.  Brancos somaram 16 e nulos, 26; a abstenção foi de 25%.


                                  
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A Física da Procura
Comer, rezar, amar


O que uma mulher quer? O que busca, sonha, deseja e luta ao longo de sua vida?  O que lhe permitem e o que lhe proíbem socialmente?  É certo que "nada dura para sempre", mas há pecados ou escolhas que são imperdoáveis, mesmo que sejam por pouco tempo...  O que mais o ser humano - e se for uma mulher, melhor ainda! - deseja nesta vida do que alimentar o corpo (comer), encontrar a Deus e estar em paz consigo mesmo (rezar) e perder o equilíbrio e viver pelo pulsar frenético de apenas sentir que está vivo e é querido (amar)?  Particularmente, eu quero os três e que seja aqui mesmo. Na minha cidade, sem precisar viajar o 'mundo inteiro'. Eis o verdadeiro equilíbrio... e se tiver que perdê-lo que seja somente por amor!
 
 
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Memórias de meu 'Cárcere' sabático

"Ficar isolada representava a 
minha liberdade de consciência e o
direito inviolável de expressar uma crença"
 

Claro que não posso dizer que estive presa.  Pelo contrário o confinamento que me foi imposto ou a que eu me submeti, na tarde do sábado (11/09), por mais paradoxal que pareça, foi voluntário, apesar de não restar nenhuma outra opção.  Ficar isolada representava a minha liberdade de consciência e o direito inviolável de expressar uma crença.

Grupo estudando a lição antes de ir para sala de prova no ICEIA, em Salvador (BA)

Direitos.  E, destacadamente, os direitos fundamentais da pessoa humana, os quais para manter inegociáveis tivemos - eu e mais 787 pessoas em todo o Brasil - que permanecer  4 horas incomunicáveis, sentados em carteiras escolares, aguardando a hora para começar a responder às questões da prova do concurso do Ministério Público da União - MPU sem ferir nossas convicções, num país laico, sem religião oficial.   Sem dúvida, tal direito foi respeitado,  sanções nos foram impostas mediane o incômodo físico de permanecer tanto tempo numa só posição e o constrangimento de não poder falar, sequer saudar o 'colega' do lado.

O porquê da concessão vir de forma tão dura?  Não sei ao certo,  nem ouso opinar, mas lembro, somente, da máxima que diz: "Ai de quem reivindicar!"  Constatação sentida na pele. Seria a estratégia cujo efeito é causar o sentimento de ser um estorvo social?  Reprimenda por fazer parte de uma minoria que altera e 'bagunça' a normalidade das rotinas?  Mas e os direitos humanos, defendidos na Declaração Universal e na mais recente Constituição Brasileira, que por sinal foram temas de longas e exuastivas horas que passei estudando para este mesmo certame?
E o que dizer do caso particular do impetrante da ação que exigiu o direito de fazer o concurso ao pôr-do-sol, ter o benefíco negado, após vê-lo estendido para candidatos de todo o país?  Seria o tal 'erro' da organização do concurso uma sutil retaliação para aquele que instigou o questionamento? Quem sabe um pequeno recado ao cidadão: "Sim, seu direito existe, mas questiona-lo pode levantar a ira de alguém".  Os garotos valentes de meu saudoso tempo de escola iam mais longe e juravam: "isso não vai ficar assim".    E não ficava...


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