quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Smartphonite - a doença dos superconectados

São 283,5 milhões de telefones celulares no Brasil, o que representa mais de um aparelho por pessoa, considerando que somos uma nação de 204 milhões de habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


As pessoas digitam usando freneticamente os polegares na tela dos smartphones. Quando estão com o celular em mãos, se isolam do mundo, plugados em fones de ouvido e com a visão focada nas pequenas telas iluminadas. Porém, o mesmo aparelho útil para telefonar, interagir nas redes sociais, ouvir música, assistir a vídeos, pagar contas, fotografar, filmar e mais uma infinidade de tarefas pode provocar uma série de prejuízos à saúde, se usado excessivamente. Os danos vão desde problemas de visão até inflamação nos tendões da mão, passando por lesões no aparelho auditivo e dores no pescoço e na coluna. Não é difícil imaginar a dimensão do problema, quando se considera que, no Brasil, o número de telefones móveis já ultrapassa o de habitantes.

O médico ortopedista Pedro José Pires Neto, eleito para ser o próximo presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Mão (SBCM), alerta que o principal vilão é o WhatsApp. “As pessoas usam o polegar com mais intensidade para digitar e ocorre a sobrecarga nessa articulação”, explica. A revista médica The Lancet batizou essa síndrome da pós-modernidade de “whatsappinite”, uma inflamação nos tendões causada pelo uso excessivo dos aparelhos de comunicação. Segundo a revista, que traz o relato do primeiro caso da doença, trata-se de uma tendinite ou inflamação nos tendões ocasionada por movimentos repetitivos.

Se não for possível ficar sem usar os aplicativos, a solução pode ser trocar o equipamento por um tablet com a tela maior ou um notebook. Outra dica é mudar a posição e digitar usando outros dedos, como o indicador.  
A postura inadequada, com o pescoço abaixado e a coluna curvada, também pode levar a dores. “Todo vício de postura pode provocar desconforto”, destaca o ortopedista. Contra isso, uma alternativa é aumentar a letra das mensagens, para uma melhor visualização, evitando a inclinação da cabeça. Controlar a força do toque, procurando empregar baixa pressão, também ajuda a prevenir dores.


Aumento da Miopia

O médico inglês David Allamby fez um levantamento e constatou que o número de jovens com miopia subiu 35% no Reino Unido desde o lançamento dos primeiros smartphones, em 1997. Outro problema apontado pelo médico é que a miopia – antes estabilizada por volta dos 21 anos – está sendo desenvolvida por pessoas mais velhas. Uma das causas, segundo Allamby, é que as pessoas seguram os aparelhos muito próximo dos olhos, entre 18 e 30 centímetros de distância, inferior à de um livro (40cm). O médico batizou a doença como screen sightedness (miopia de tela) e prevê que em 20 anos até metade das pessoas com mais de 30 anos terão desenvolvido o distúrbio.

O diretor de Oftalmologia da Associação Médica de Minas Gerais, Luiz Carlos Molinari, diz que a pesquisa faz muito sentido. “O uso do smartphone, junto dos tablets, aumenta a miopia axial”, reforça Molinari. O médico recomenda que os pais estimulem as crianças a brincar fora de casa, longe dos aparelhos eletrônicos. Outra dica de Molinari é piscar mais. “Computador, smartphone e tablet aumentam a evaporação da lágrima. O ideal é que a pessoa passe a piscar mais, para lubrificar a córnea. Ao piscar, a lágrima se renova”, ensina o oftalmologista.



*Com informações de Saúde Plena

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