quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Sou a favor do diploma de jornalista


Por Aristeu MoreiraAristeu Moreira (*)


"Eu te dou uma carteira de jornalista e você ainda vem me pedir aumento. Nem pensar!" A resposta, atribuída a Assis Chateaubriand e dada a repórteres que lhe solicitavam aumento circula em todas as redações e não me lembro se foi incorporada por Fernando Morais na biografia "Chatô, o Rei do Brasil". Mas ela dá bem uma idéia do vale tudo e de como os profissionais do jornalismo, com o beneplácito dos patrões, podiam e atuavam antes de a legislação exigir a obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da função.

Ontem foi publicada aqui uma nota sobre a iminência de o Supremo Tribunal Federal julgar neste segundo semestre a obrigatoriedade desse diploma. A exigência é alvo de campanhas contrárias de todos os barões da mídia e a intenção do autor deste blog, o ex-ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República, José Dirceu, ao publicar a nota - e dar espaço à continuidade do assunto hoje - é exatamente abrir uma ampla discussão sobre a questão.

Fica, assim, livre e sem nenhum tipo de restrição ou censura, aberto este espaço aos jornalistas e demais internautas que o acessam e que tenham interesse em manifestar sua posição contra ou a favor, ou muito pelo contrário, nessa polêmica questão do diploma. Toda contribuição a esse debate será muito bem vinda.

Faculdades davam formação de esquerda
Eu estréio hoje a continuidade dessa discussão. Sou a favor da obrigatoriedade do diploma. Entendo que o jornalismo é um ofício como outros, que pode e deve ser aprendido numa faculdade para que venha a ser bem desempenhado. Se o arquiteto para exercer a sua profissão precisa ter cursado a faculdade de arquitetura, o médico a de medicina, o advogado a de direito, porque querem que só o jornalismo seja exercido sem que o seu profissional tenha a formação superior? Por que o interesse em que o trabalho do jornalista seja exercido por qualquer um?

Os que são contra o diploma não podem esquecer - ou talvez nem se lembrem ou não associem - que essa campanha contra a obrigatoriedade do diploma foi deflagrada, por paradoxal que pareça, a partir de uma fracassada greve de jornalistas (a última feita pela categoria) em 1979 quando, apesar do insucesso da nossa paralisação, o sindicalismo brasileiro vivia um dos momentos de maior força, combatividade e vitalidade, incômodas aos patrões.

Foi ali que o patronato, o empresariado monopolista das comunicações no Brasil, percebeu o risco de ser obrigado a só contratar jornalistas diplomados que, de resto, saiam das faculdades com uma nítida formação de esquerda, algo que soava desagradável e ameaçador para os barões da mídia.

Midia prefere contratar quem defenda seus interesses
Ali os patrões da comunicação acordaram para o fato de que sem a obrigatoriedade do diploma a situação lhes era muito cômoda, a ideal, porque podiam contratar quem quisessem para defender seus interesses, admitir profissionais sem nenhuma ética ou compromisso social - o nosso compromisso com a verdade, o compromisso de não defender interesses escusos - que as faculdades de jornalismo, por piores que sejam, terminam transmitindo aos que passam por elas.

Não estou dizendo que a exigência do diploma transformou em santos os que cursam jornalismo. E que na categoria não vicejam os que não têm ética e compromisso social com a informação. Como toda grande corporação, a jornalística também tem os desprovidos de caráter, os oportunistas e manipuladores, mas estes seguramente são em muito menor número do que no passado, à época em que Chateaubriand montou e comandou seu império de comunicação e permitia que seus repórteres se utilizassem da "carteirinha" para usufruir vantagens pessoais que a profissão enseja aos que não tem caráter, ao mesmo tempo em que ele se sentia desobrigado de conceder reajustes salariais.

A exigência do diploma funciona como um filtro, possibilita uma espécie de triagem para que seja muito menor o número de aventureiros que incursiona pela profissão para usufruir vantagens pessoais ou, como era comum em outras épocas, tornar-se conhecidos, "fazer" o nome assinando matérias e depois ganhar dinheiro em outras profissões que tinham.

(*) Aristeu Moreira é formado pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, em 1977, tendo trabalhado, entre outros, na Folha de S.Paulo, Jornal do Brasil, O Globo, TV Manchete e TV Cultura - Texto publicado no Blogo do Zé Dirceu no dia 30/07/08

2 comentários:

  1. josé aristeu moreira muito bom sua opinião no blogo de zé dirceu mara!
    entre em contato com a família cabral de aracaju sergipe!
    inaldo envia um abração
    vc ainda gosta de pirão amigo??saudades!!!!

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  2. tudo que aristeu escreve eu adoro
    ele entende mesmo .ARISTEU JACIRA CABRAL E SEU ESPOSO INALDO DESEJA SE COMUNICAR COM VC NO BLOGGER DE JOSEMARA VELOSO :
    htt//www.maravell.blogspot.com josemara lhe dará meu email.
    beijão saudades!!!que encontro fan-
    tástico adoreiiiii !!!!!

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Muito bem... quero saber sua opinião!!!

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