terça-feira, 8 de julho de 2008

A saturação dos blogs no Brasil

Tiago Dória, 28 anos, é jornalista e blogueiro

Texto por Rodrigo Martins

Acabou o “hype” dos blogs no Brasil? Com apenas 28 anos, o jornalista Tiago Dória é das antigas. Bloga desde que blog era um troço complicado de se montar, na época em que era necessário colocar códigos “na unha”. Em cinco anos de posts, tornou-se uma das referências na internet brasileira quando o assunto é tecnologia. Nesses mesmo cinco anos, viu os blogs entrarem na ordem do dia para empresas, veículos de comunicação e milhares de pessoas anônimas. Só que agora, constata, chegou a fase de saturação. “É preciso um refino. Vai ficar quem realmente tem relevância.”

Dória (que não, não é parente do colunista do Link Pedro Doria, ele logo avisa) é responsável pelo blog www.tiagodoria.com, onde escreve sobre tecnologia e, principalmente, internet. Ele aponta que, hoje, há muitos blogs com uma visitação gigantesca, mas que pouco têm relevância e repercussão. Muitos se gabam de ter 40, 50 mil visitantes diários. Ele só tem 6 mil.

“Você pode ter relevância, atingindo um nicho. Esse público acessa sempre, volta e indica. O meu público é muito formado por gente de mídia, jornalistas. Muitos dos meus posts viram reportagens”, diz. “De que adianta ficar se gabando com números? Isso é uma tremenda besteira. Se você pegar o The New York Times, ele não é o maior jornal do mundo, mas é o que mais repercute, influencia. E tem blogueiro que fica só pensando em aumentar a visitação a qualquer custo. Não é isso. Tem de ter relevância.”

Nessa busca por audiência, o tão falado “post inédito” está na agenda de muitos blogueiros. “Mas não é isso o que importa”, diz, afirmando que um dos principais papéis do blog é justamente repercutir o que o blogueiro vê na internet. “Não tem nada de errado em o cara não produzir conteúdo original, ‘reblogar’ o que vê. Na verdade, a gente tem de ser um DJ: pegar o conteúdo, acrescentar uma entrevista publicada em um outro site, complementar com informações...”

Este ano será decisivo para os blogs no Brasil, aponta Dória. Com o “hype” no fim – e fazendo mistério, mas afirmando que novidades, como novos portais de blogs, estão à vista – ele diz que haverá um refino. “Há ainda muito deslumbre com o blog. Vão haver novidades, que não posso falar, mas acredito que a coisa vai se consolidar”, diz. “Muitos blogs já estão fechando. Outros estão se destacando. Deve haver um refino: muitos blogs ainda falam de blogs e não trazem relevância. Vai ficar quem tiver repercussão.”

Segundo ele, essa consolidação do blog deve abrir espaço para surgirem novos nomes. Assim como ele surgiu em 2003. Morador de Santos, no litoral paulista, ele terminava a faculdade de jornalismo quando decidiu montar seu blog. Internauta de primeira hora – está na rede desde 1995 – Dória vivia enviando para os amigos links, fotos e vídeos que encontrava na internet. “Até que os meus amigos começaram a reclamar que eu enchia a caixa de e-mails deles. Um deles me sugeriu criar um blog.”

Dito e feito. “Na época, não tinha essa facilidade toda”, lembra. “Era preciso saber programação em HTML, mas já tinha feito cursos na área.”

Dória se formou em jornalismo, trabalhou em assessoria de imprensa e em TV. E continuou postando paralelamente. “Era um diário de navegação. Publicava coisa legais da web, com comentários.” Até que, em 2005, um portal o convidou para levar seu blog para suas páginas. Hoje, é o emprego dele. “Faço trabalhos como ‘freelancer’, mas o blog é a minha principal forma de ganhar dinheiro.”

Para Dória, muitos blogueiros podem trilhar o mesmo caminho. Ele diz, inclusive, que a principal forma de ganhar relevância é estar em um portal, mesmo que muitos prefiram ficar independentes. “No Brasil, o mercado de internet ainda é muito focado em portais. O melhor para o blogueiro é vender conteúdo.”

Os blogueiros mais relevantes hoje, aponta, estão em portais. Quando o repórter do Link pergunta quais são eles, Dória não titubeia: “É o Kibeloco (da Globo.com), o Noblat (de O Globo) e Reinaldo Azevedo (da Veja). Todos conseguiram criar uma marca. E na web, para ter repercussão, é preciso ter uma marca.”

A DESCOBERTA DOS BLOGS
Mesmo com a constatação de que o “hype” dos blogs está acabando, Dória diz que as empresas estão, cada vez mais, de olho nos blogueiros. “É uma forma de ter contato mais direto com o público, de acessar leitores diferentes do que os do jornal”, diz. “Se você pegar um caderno de tecnologia do jornal, por exemplo, ele atinge um público mais leigo. Um blog pode atingir um público mais especializado. Pode interessar para as empresas.”

Isso, entretanto, não quer dizer que a questão esteja resolvida. O post pago é uma das polêmicas. “Os blogueiros são pagos para postar sobre um produto. E nem sempre eles avisam que fizeram isso”, diz. “Tem blogueiro que aceita. Eu não. Fica estranho. Uma das qualidades do blog é a transparência. Você não pode enganar o seu leitor.”

Segundo Dória, as empresas também procuram cada vez mais os blogueiros para participar de eventos. E isso também já causa polêmicas. “Muitas não sabem quem são os blogueiros e convidam sem critério nenhum. Eu, por exemplo, escrevo sobre tecnologia mas já fui convidado para eventos sobre teatro, cinema. O pior é que tem muito blogueiro que topa tudo, que é peru de festa.”

VÍDEO É O FUTURO
A aposta atual de Dória é o vídeo na internet, que, diz, é a novidade. Será que está louco? O YouTube não estourou em 2005? “Há uma carência de vídeos profissionais, com notícias. Há muita coisa divertida no YouTube, mas coisas sérias ainda não.”

Em janeiro, ele comprou um celular 3G que faz vídeos com boa qualidade. “Consigo filmar em qualquer lugar. Depois edito e posto.” O que ele vislumbra agora é poder transmitir ao vivo com o celular. “Tenho uma conexão 3G, que transmite em alta velocidade. Posso, por exemplo, fazer uma entrevista ao vivo de qualquer lugar. Estou fazendo experiências.”

Segundo ele, o Brasil tem tudo para se destacar nessa área. “Já há pesquisas que mostram que os brasileiros são líderes em publicação de fotos e vídeos na web. E o brasileiro tem muito dessa coisa visual, pega uma câmera e sai filmando.
Qualquer um poderá ter a sua própria TV.”

:D :D :D :D :D

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