quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Ciberpioneiras na conquista da Net

Daqui a alguns anos, o mundo da computação deixará de ter predominância masculina. Claro que isso é somente um palpite, mas poderá ser uma realidade se as meninas que hoje despontam como as maiores usuárias e produtoras de conteúdo para a Net (blogs, gráficos, fotografias, sites e etc..) não perderem o gosto e se enveredarem nos estudos das ciências da computação e informática. Os homens que me desculpem, mas esta lacuna entre os sexos, como descreve Jane Margolis e AllanFisher, no livro Unlocking the Clubhouse: Women in Computing, diminuirá e lugar de mulher será na frente do computador - desenvolvendo. Veja matéria do The New York Times:

Os meninos que nos perdoem, mas quem manda na Internet são as garotas

Stephanie Rosembloom

O gênio de computação típico da imaginação popular -homem pálido de óculos - não correspondeu à sua fama. As pesquisas mostram que entre os mais jovens usuários da Internet, os principais criadores de conteúdo na Web (blogs, gráficos, fotografias, sites) não são pessoas mal ajustadas parecidas com Lone Gunmen de "Arquivo X". Pelo contrário, os cyber-pioneiros do momento são meninas adolescentes digitalmente efusivas."A maior parte dos meninos não tem paciência para esse tipo de coisa", disse Nicole Dominguez, 13, de Miramar, Flórida, cujos hobbies incluem desenhar ícones livres, layouts e "glitters" (animações trêmulas) para as páginas de Web e MySpace de outras adolescentes. "É muito difícil". Nicole publica seus gráficos, assim como seus próprios códigos html e CSS (ela aprendeu sozinha) no sodevious.net, um domínio que sua mãe comprou para ela em outubro, cor de rosa e violeta.

"Se você fizesse uma pesquisa, acho que descobriria que os meninos raramente têm sites", disse ela. "A maioria é menina."De fato, um estudo publicado em dezembro pelo Projeto Pew de Internet e Vida Americana revelou que entre usuários da Web com 12 a 17 anos de idade, o número de meninas com blogs é significativamente maior do que o de meninos (35% contra 20%), assim como é maior o número de meninas que criam ou trabalham em suas próprias páginas da Web (32% contra 22%).

As meninas também fazem sombra aos meninos na construção de sites da Web para outras pessoas e na criação de perfis em sites de redes sociais (70% de meninas entre 15 e 17 anos têm um, contra 57% dos meninos entre 15 e 17). A publicação de vídeo foi a única área na qual os meninos superaram as meninas: quase o dobro de meninos publicam arquivos de vídeo. As explicações para o desequilíbrio entre os sexos são tão variadas quanto as cyber-meninas.

As meninas incluem blogueiras que pontificam questões adolescentes eternas, tais como "professores cruéis" e ficar "de castigo para sempre", até futuras Martha Stewarts - empresárias cujas experiências online geram mais dinheiro que um verão trabalhando de babá."Fui a primeira podcaster adolescente a receber um patrocínio importante", disse Martina Butler, 17, de San Francisco, que há três anos vem gravando um show de música Indie, Emo Girl Talk, em seu porão. Seu primeiro patrocínio corporativo, do remédio para acne Nature's Cure, foi assunto de uma revista de marketing do ramo, Brandweek, em 2005.

Desde então, mais de meia dúzia de empresas, incluindo o provedor de Internet Go Daddy, pagaram para ser mencionadas em seus podcasts, que são publicados aos domingos no emogirltalk.com."As coisas só estão crescendo para mim", disse Martina, uma aspirante a anfitriã de rádio e televisão, que achou graça quando soube sobre o estudo do Pew."Não estou surpresa, porque as meninas são muito criativas", disse ela, "algumas vezes mais criativas que os homens. Somos corajosas, e os meninos...", sua voz virou uma risada.


A tendência ao reino das meninas na criação de conteúdo vem surgindo há alguns anos -um estudo do Pew publicado em 2005 também revelou que meninas adolescentes eram as principais criadoras de conteúdo- mas a diferença entre os sexos nos blogs, em particular, cresceu.

Enquanto o número de blogueiros adolescentes praticamente dobrou de 2004 a 2006, quase todo o crescimento deveu-se à "maior atividade das meninas", disse o relatório Pew.As descobertas têm implicações além dos blogs, de acordo com o projeto Pew, porque os blogueiros "têm muito maior probabilidade de se engajar em outras atividades de criação de conteúdo do que adolescentes não blogueiros".Apesar das meninas superarem os meninos como criadoras de conteúdo da Web, o desequilíbrio entre adultos na indústria de computação continua. As mulheres detêm cerca de 27% dos empregos nas ocupações de computação e matemática, de acordo com o Escritório de Estatísticas do Trabalho.

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